
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
sábado, 29 de outubro de 2011
BLOGSFERA E OS DESAFIOS DE NÃO REPETIR OS VÍCIOS DA GRANDE MÍDIA

Apesar de os novos meios de comunicação terem democratizado o acesso à informação no mundo, problemas como a "dispersão e a ausência de sentido mais amplo" dos conteúdos padecem como desafios a serem vencidos pelos comunicadores. A opinião é do jornalista e sociólogo espanhol Ignácio Ramonet, diretor do Le Monde Diplomatique.
"Hoje a informação é superabundante e, por isso, não tem mais valor em si, é gratuita", disse ele. "Por isso, há qualidades do jornalismo tradicional, no tratamento da informação, que não podem ser eliminadas e contribuem para qualificar o uso das novas tecnologias".
Esse seria um papel que os jornalistas poderiam cumprir, já que atualmente "não sabem mais qual a sua função". "Há uma crise de identidade nos meios tradicionais, que perderam o monopólio, e nos próprios jornalistas", analisou o espanhol.
Ramonet destacou o papel das novas tecnologias ao dificultar que governos controlem a informação, "como na Tunísia e no Egito", e colaborar para a democracia. No entanto, ressaltou que todos devem se preparar para o futuro, pois "tudo é transitório e, daqui a cinco anos, twiter, facebook e ipad talvez sejam substituídos por outras tecnologias".
"Os antigos meios de comunicação viveram uma estabilidade por décadas. Isso não ocorre hoje. Se este evento dos blogueiros tivesse acontecido há cinco anos, estaríamos falando aqui do My Space", disse.
Experiência brasileira
Em sua exposição, o jornalista brasileiro Luis Nassif afirmou que a blogosfera já é utilizada pelas mais diversas camadas da sociedade, da esquerda à direita. "Eu vivo uma guerra com a revista Veja, que diariamente me caluniava através de um de seus colunistas na intenet", afirmou.
Em linha com Ignácio Ramonet, ele disse que "a questão mais importante não é a tecnologia em si, que está em constante transfomação, mas os valores por trás dela". Nassif ainda rememorou o papel da mídia tradicional na legitimação da política econômica em diversos períodos da história brasileira.
"Na era do café, a imprensa defendia a política que beneficiava esse setor. Quem propusesse algo em outra linha, era criticado", afirmou. Ele lembrou que o nascimento do rádio e da indústria fonográfica nas primeiras décadas do século 20 abalou o poder dominante, pois "ajudava a criar a autoestima nacional, quando a elite ainda falava francês".
Na década de noventa, Nassif disse que novamente a política econômica foi determinada pela mídia, que se aproveita de que "a política é conduzida pelas pressões imediatas". "É com a mídia que se consegue chegar à opinião pública", analisou.
Segundo o jornalista, apesar do poderio ainda exercido pelos meios tradicionais, já há casos em que a blogosfera fez diferença, como quando ajudou a desmontar a operação midiática para desqualificar a operação Satiagraha da Polícia Federal, que atingiu em 2004 o banqueiro Daniel Dantas.
* Fonte: Carta Maior
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
A HISTÓRIA E A REPRESENTAÇÃO DO REAL

Heródoto e Tito Lívio dedicaram-se a contar a história de seu tempo, mas, é possível existir imparcialidade no registro dos fatos? Para Flavia Maria Schlee Eyler, professora de História Antiga e Medieval na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), não é da condição humana ser imparcial.
“Existe sempre uma interpretação. História não é ciência exata, ela fala sobre o que passou, torna presente a ausência. Por isso, há sempre uma variabilidade de pensamento”, explica.
De acordo com Claudia Beltrão, professora de História Antiga da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), Tito Lívio sabia – e deixou isso muito claro – que apresentava uma versão, uma interpretação de coisas passadas, a partir de outros textos, tradições orais, mitos, lendas, e objetos que lhe chegaram do passado.
“Tito Lívio abre o Livro I de 'Ab Urbe condita libri' (Desde a Fundação da Cidade), de um modo cuidadoso, dizendo que tratará de coisas que ocorreram há mais de 700 anos de sua própria época. Eis uma das (muitas) coisas que temos de levar em conta: ao escrevermos a história, é preciso prestar atenção à distância temporal – e à, espacial, social, religiosa e a outras distâncias – , para não pensarmos que os outros pensam, sentem, agem ou são como nós mesmos”, ressalta.
Segundo a professora, historiadores e outros profissionais da área de humanidades, criam, em suas narrativas, “efeitos do real”, uma vez que todo e qualquer documento per se (por si mesmo) é privado de significação.
“O objeto de conhecimento da história é o mundo das relações humanas e, em sociedade, os seres humanos sentem, pensam, agem, ponderam, emitem juízos de valor, argumentam, persuadem e são persuadidos. O texto historiográfico, em vez de descritivo, é interpretativo; em vez de reportar, informar, ele pretende analisar e interpretar, buscando o sentido do que ocorreu e ocorre com e entre os grupos humanos. O discurso historiográfico tem, desde sua origem, se esforçado por manter uma relação entre sua criação literária e os documentos, buscando as factae (as ‘coisas feitas’, e era assim que os romanos definiam o objeto de interesse da História) a partir de seus vestígios. Aí reside a freqüente releitura da História e das obras de historiografia, especialmente as clássicas, posto que possuíam uma preocupação explícita com a questão da narrativa e das representações, tendo-se sempre em mente que os historiadores não se destinam a descrever o real, mas sim a representá-lo”, completa.
Claudia Beltrão é professora de História Antiga e Medieval na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio)
Fonte: G1
O PETRÓLEO E O SANGUE

Ao que parece, a Terra cobra, em sangue, o petróleo que é retirado de suas entranhas. Mas tem cobrado mal: não são os que os que consomem o óleo alucinadamente os que pagam a dívida para com o planeta, mas sim os que tiveram a maldição de o ter em abundância, como os paises árabes e muçulmanos. Todas as teorias – a defesa dos direitos humanos, da democracia, da civilização ocidental, e, até mesmo, do cristianismo – são ociosas para explicar a sangueira dos tempos modernos. No caso do Oriente Médio, a cobiça pelo petróleo, desde o início do século passado, tem sido a causa de todos os males.
As imagens divulgadas ontem, da prisão, da tortura e da morte do coronel Kadafi são semelhantes às da prisão, da farsa do julgamento, e da execução de Saddam Hussein. Da execução de Osama bin Laden ainda não conhecemos todas as imagens, mas é provável que um dia sejam divulgadas.
A biografia desses três homens é semelhante. Todos eles tiveram, em um tempo ou outro, as melhores relações com os países ocidentais, democráticos e cristãos. Em livro que será publicado nos próximos dias, a Sra. Condoleeza Rice confessou um certo fascínio por Kadafi, que a ela se referia como “minha princesa africana”. Hillary Clinton reagiu com interjeição de alegre surpresa, ao ver as imagens do trucidamento do coronel. Terça-feira, em Trípoli, ela disse claramente que Kadafi devia ser preso ou morto, imediatamente.
Osama bin Laden, como é sabido, foi sócio de Bush pai em negócios de petróleo. No Afeganistão se uniu à CIA e ao Pentágono, no trabalho político junto aos combatentes anti-soviéticos. Essas ligações devem ter influído no ódio de pai e filho ao combatente muçulmano.
O caso de Saddam é ainda mais significativo. O Iraque não podia ser considerado um país obscurantista. Ainda que não fosse democrático – e, segundo os indignados norte-americanos, tampouco há democracia nos Estados Unidos – era um regime tolerante, que dava relativa liberdade às mulheres, autorizadas a freqüentar as universidades e a usar trajes ocidentais, e não exercia perseguição aos não islamitas, tanto assim que o segundo homem do governo, Tariq Aziz, era cristão católico do rito caldeu.
Nessa cruzada disfarçada de conflito de civilizações, as mentiras foram as mais importantes armas dos Estados Unidos. Suspeita-se que todas elas decorram de uma mentira ainda maior: a de que o ataque às Torres Gêmeas de Nova Iorque tenha sido uma operação determinada por bin Laden. Que Saddam Hussein nada tinha a ver com isso, é hoje fora de dúvida.
Para justificar a invasão ao Iraque, os Estados Unidos apresentaram “provas” forjadas, como fotografias de caminhões e de galpões, como sendo de instalações nucleares. Afirmaram ao mundo, por Collin Powell e outros, que Saddam, além de desenvolver seu arsenal atômico, dispunha de outras armas de destruição em massa, como produtos químicos letais. O embaixador brasileiro José Maurício Bustani, então diretor da Organização das Nações Unidas para a Proibição de Armas Químicas, e conhecia a realidade iraquiana, sabia que se tratava de uma mentira, e tentava obter a adesão de Saddam ao tratado internacional contra as armas químicas – o que desmentiria as acusações americanas - foi destituído de seu cargo pelas pressões do governo Bush. Hoje, é o embaixador do Brasil em Paris.
A terceira peça do tabuleiro, a ser eliminada, foi o governante líbio. Ele fora declarado “limpo” pelos governos ocidentais, e privava da intimidade dos líderes norte-americanos e europeus. Caiu na esparrela de acreditar nisso, e enfrentou, ao mesmo tempo, os que o consideravam um renegado e os sedentos de seu petróleo e, por isso mesmo, sedentos de sangue.
Esses três casos são uma forte advertência aos países árabes que têm sido vassalos fiéis de Washington. Os príncipes da Arábia Saudita que se cuidem. O Paquistão, ao que parece, já está com suas barbas no molho.
E as mentiras continuam. Muhamad Jibril, que é o primeiro ministro interino e terá que vencer facções que lhe são contrárias, mentiu descaradamente, ao afirmar que Kadafi fora morto em “fogo cruzado” dos rebeldes com as tropas leais ao dirigente líbio. As imagens, divulgadas no mundo inteiro, mostram Kadafi ainda vivo, caminhando, levantando o braço, até ser derrubado a socos e pontapés, para ser, finalmente, assassinado.
Mauro Santayana é colunista político do Jornal do Brasil, diário de que foi correspondente na Europa (1968 a 1973). Foi redator-secretário da Ultima Hora (1959), e trabalhou nos principais jornais brasileiros, entre eles, a Folha de S. Paulo (1976-82), de que foi colunista político e correspondente na Península Ibérica e na África do Norte.
terça-feira, 25 de outubro de 2011
O IMPÉRIO DERRUBA MAIS UM LÍDER

A foto divulgada pelos contra-revolucionários do CNT elimina dúvidas: Muamar Kadafi morreu. Notícias contraditórias sobre as circunstâncias da sua morte correm o mundo, semeando confusão. Mas das próprias declarações daqueles que exibem o cadáver do líder líbio transparece uma evidência: Kadafi foi assassinado.
No momento em que escrevo, a Resistência líbia ainda não tornou pública uma nota sobre o combate final de Khadafi. Mas desde já se pode afirmar que caiu lutando.
A midia a serviço do imperialismo principiou imediatamente a transformar o acontecimento numa vitória da democracia, e os governantes dos EUA e da União Europeia e a intelectualidade neoliberal festejam o crime, derramando insultos sobre o último chefe de Estado legitimo da Líbia.
Essa atitude não surpreende, mas o seu efeito é oposto ao pretendido: o imperialismo exibe para a humanidade o seu rosto medonho. A agressão ao povo da Líbia, concebida e montada com muita antecedência, levada adiante com a cumplicidade do Conselho de Segurança da ONU e executada militarmente pelos EUA, a França e a Grã Bretanha deixará na História a memória de uma das mais abjetas guerras neocoloniais do início do século XXI.
Quando a OTAN começou a bombardear as cidades e aldeias da Líbia, violando a Resolução aprovada sobre a chamada Zona de Exclusão aérea, Obama, Sarkozy e Cameron afirmaram que a guerra, mascarada de «intervenção humanitária», terminaria dentro de poucos dias. Mas a destruição do país e a matança de civis durou mais de sete meses.
Os senhores do capital foram desmentidos pela Resistência do povo da Líbia. Os «rebeldes», de Benghazi, treinados e armados por oficiais europeus e pela CIA, pela Mossad e pelos serviços secretos britânicos e franceses fugiam em debandada, como coelhos, sempre que enfrentavam aqueles que defendiam a Líbia da agressão estrangeira.
Foram os devastadores bombardeaios da OTAN que lhes permitiram entrar nas cidades que haviam sido incapazes de tomar. Mas, ocupada Tripoli, foram durante semanas derrotados em Bani Walid e Sirte, baluartes da Resistência.
Nesta hora em que o imperialismo discute já, com gula, a partilha do petróleo e do gás libios, é para Muamar Kadafi e não para os responsáveis pela sua morte que se dirige em todo o mundo o respeito de milhões de homens e mulheres que acreditam nos valores e princípios invocados, mas violados, pelos seus assassinos.
Kadafi afirmou desde o primeiro dia da agressão que resistiria e lutaria com o seu povo ate à morte. Honrou a palavra empenhada. Caiu combatendo.
Que imagem dele ficará na História? Uma resposta breve à pergunta é hoje desaconselhável, precisamente porque Muamar Kadafi foi como homem e estadista uma personalidade complexa, cuja vida refletiu as suas contradições.
Três Kadafis diferentes, quase incompatíveis, são identificáveis nos 42 nos em que dirigiu com mão de ferro a Líbia.
O jovem oficial que em 1969 derrubou a corrupta monarquia Senussita, inventada pelos ingleses, agiu durante anos como um revolucionário. Transformou uma sociedade tribal paupérrima, onde o analfabetismo superava os 90% e os recursos naturais estavam nas mãos de transnacionais americanas e britânicas, num dos países mais ricos do mundo muçulmano. Mas das monarquias do Golfo se diferenciou por uma politica progressista. Nacionalizou os hidrocarbonetos, erradicou praticamente o analfabetismo, construiu universidades e hospitais; proporcionou habitação condigna aos trabalhadores e camponeses e recuperou para uma agricultura moderna milhões de hectares do deserto graças à captação de águas subterrâneas.
Essas conquistas valeram-lhe uma grande popularidade e a adesão da maioria dos líbios. Mas não foram acompanhadas de medidas que abrissem a porta à participação popular. O regime tornou-se, pelo contrário, cada vez mais autocrático. Exercendo um poder absoluto, o líder distanciou-se progressivamente nos últimos anos da política de independência que levara os EUA a incluir a Líbia na lista negra dos estados a abater porque não se submetiam. Bombardeada Tripoli numa agressão imperial, o país foi atingido por duras sanções e qualificado de «estado terrorista».
Numa estranha metamorfose surgiu então um segundo Kadafi. Negociou o levantamento das sanções, privatizou empresas, abriu setores da economia ao imperialismo. Passou então a ser recebido como um amigo nas capitais europeias. Berlusconi, Blair, Sarkozy, Obama e Sócrates receberam-no com abraços hipócritas e muitos assinaram acordos milionários , enquanto ele multiplicava as excentricidades, acampando na sua tenda em capitais europeias.
Na última metamorfose emergiu com a agressão imperial o Khadafi que recuperou a dignidade. Li algures que ele admirava Salvador Allende e desprezava os dirigentes que nas horas decisivas capitulam e fogem para o exílio.
Qualquer paralelo entre ele e Allende seria descabido. Mas tal como o presidente da Unidade Popular chilena, Khadafi, coerente com o compromisso assumido, morreu combatendo. Com coragem e dignidade.
Independentemente do julgamento futuro da História, Muamar Khadafi será pelo tempo afora recordado como um herói pelos líbios que amam a independência e liberdade. E também por muitos milhões de muçulmanos. A Resistência, aliás, prossegue, estimulada pelo seu exemplo.
Miguel Urbano Rodrigues é jornalista português. O original encontra-se em http://www.odiario.info/?p=2246
e este artigo foi transcrito de http://resistir.info/ .
INDÍGENAS LANÇAM MANIFESTOS CONTRA OS RISCOS DOS "NEGÓCIOS VERDES"

Numa mobilização inédita, indígenas de nove países na América do Sul lançam manifesto e alertam para o risco de ações criminosas na Amazônia. Comunidades também denunciam assédio de empresas que buscam lucro ilícito.
Indígenas esbarram frequentemente na dificuldade de serem ouvidos. "A maioria das autoridades ignora o nosso conhecimento tradicional, que vem dos ancestrais, acha que é bobagem. Mas queremos mostrar que entendemos sobre tudo isso que está acontecendo. Queremos colaborar com todo o processo de discussão sobre a crise climática e temos muito a contribuir", garante Sônia Guajajara, da COIAB (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira).
Com o objetivo de chacoalhar a opinião internacional, uma mobilização inédita reuniu povos indígenas da Amazônia e organizações nacionais de nove Estados na América do Sul com o objetivo de chamar a atenção para problemas já conhecidos por todos os governos: "A crise climática e ambiental é gravíssima, em pouco tempo será irreversível, os poderes globais e nacionais não podem nem querem detê-la, e pior, pretendem aproveitá-la com mais 'negócios verdes' mesmo que ponham em perigo todas as formas de vida."
O texto faz parte do manifesto assinado por organizações do Brasil, Bolívia, Equador, Colômbia, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Venezuela e Suriname. O grupo cansou do vocabulário suave e denuncia a "hipocrisia e contradição nas políticas globais e nacionais sobre florestas".
Segundo o documento, essa hipocrisia é vista em declarações, planos, pequenos projetos "sustentáveis" que têm um efeito reverso. E os impactos negativos da longa lista de atividades no território amazônico – entre elas o desmatamento, exploração de minérios, de hidrocarbonetos, megahidrelétricas, pecuária extensiva, biopirataria e roubo dos conhecimentos ancestrais – atingem em cheio as populações indígenas.
Cautela a favor do clima
Uma das grandes ameaças vistas pelos indígenas é o processo de negociação do mecanismo REDD (Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação). Eles alegam que essa ferramenta, que ainda está em fase de elaboração como arma contra o aquecimento global, corre o risco de beneficiar aqueles que sempre desmataram e degradaram.
"Nós defendemos que o REDD seja revertido em benefício coletivo, e não em recursos financeiros que irão parar nas mãos daqueles que buscam exclusivamente o dinheiro", explica Guajajara. "Nós, os índios, buscamos a valorização e o reconhecimento pelo serviço prestado ao meio ambiente, porque sempre conservamos a floresta", continua.
Em busca dos créditos de carbono, vendidos para indústrias que buscam compensar suas emissões, as abordagens nas comunidades indígenas são cada vez mais intensas, afirma a COICA (Coordenação das Nações Indígenas da Amazônia). Os índios relatam que ONGs com intenções duvidosas incentivam as comunidades a assinar contratos sem que as lideranças locais compreendam exatamente o que está escrito.
"Experiências no Peru e na Bolívia mostram casos de abuso e má-fé, e várias comunidades estão sofrendo muito para reverter algumas situações", relata Edwin Vasquez Campos, coordenador da COICA no Peru. Os chamados "caçadores de carbono" procuram tirar vantagens de frágeis leis locais com o intuito de fazer dinheiro.
Denúncia contra a indústria
É o que aconteceu com o grupo indígena dos Matsés, no Peru. Após serem assediados pela empresa Sustainable Carbon Resources Limited, representada pelo australiano David John Nilsson, a Aidesp, organização nacional dos indígenas peruanos, pediu a intervenção da Justiça para evitar uma tragédia.
Segundo relata um documento publicado em abril último, Nilsson tentou coagir os índios a assinarem um contrato de negócios de carbono que daria total poder à empresa sobre os 420 mil hectares de mata preservada. O empresário teria apresentado um documento em inglês e oferecido a quantia de 10 mil dólares aos indígenas.
A reportagem da Deutsche Welle tentou falar com a Sustainable Carbon Resources Limited, mas o único contato público disponível é uma página na internet que está "em construção".
Tendo em vista casos como o registrado no Peru, o manifesto assinado por grupos de nove países recomenda que Estados e bancos assumam sua responsabilidade para frear a expansão dos "ladrões de REDD" e rejeitem empresas e ONGs fraudadoras denunciadas pelos povos indígenas.
Expectadores e financiadores
Num encontro de cúpula de lideranças indígenas, realizado em Manaus na semana passada, estiveram presentes representantes das Nações Unidas, do Banco Mundial, do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e agências de cooperação, inclusive da Alemanha, além de cientistas do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas).
Peter Hilliges, do banco de desenvolvimento alemão KfW, que financia projetos na Amazônia, leu o manifesto dos indígenas e afirma que os direitos desses povos são levados em consideração tanto nas negociações climáticas quanto nas atividades que recebem dinheiro do banco.
"O KfW se preocupa em ser um agente neutro, não se posicionando nem do lado dos indígenas nem da iniciativa privada tampouco de algum governo. Nós procuramos, em meio a diferentes interesses e necessidades, encontrar sempre uma solução pragmática e realizável", disse em entrevista à Deutsche Welle.
Autora: Nádia Pontes
Revisão: Carlos Albuquerque
Fonte: DW-WORLD.DE
FRAUDE NA LOTERIA FEDERAL

A Casa caiu para Caixa Econômica Federal
Os números sorteados nos concursosMega Sena: 1225 e 1226 !!!
1225 - números sorteados = 31 / 32 / 34 / 40 / 50 / 55 ocorrido dia 23/10/2010.
1226 - números sorteados = 10 / 31 / 40 / 50 / 55 / 56 ocorrido dia 27/10/2010
O que foi que aconteceu? nunca tivemos tantos números repetidos em jogos consecutivos!
A Polícia Federal desconfiou que estivesse havendo algum tipo de fraude na MEGA SENA e, mal começaram as investigações, pegaram várias pessoas envolvidas no esquema, entre elas, funcionários, auditores, e muito peixe grande, ligados diretamente ao governo.
São muitas pessoas envolvidas no esquema. Eles fraudavam o peso da bolinha, fazendo sempre dar os números que eles quisessem e botavam 'laranjas' para jogar em diferentes Estados.
Você que achava estranho a Mega Sena acumular tantas vezes seguidamente, e quando saía o prêmio, apenas uma pessoa ganhava, geralmente em algum lugar bem distante..
Descobriram membros da quadrilha com 4 Bilhões em contas nos paraísos fiscais.
Mais uma vez o povo brasileiro é enganado.
Na TV só passou uma vez no Jornal da Record, e outra na BAND.
Certamente foram censurados.... Está na cara que o governo não quer perder a bocada que fatura cada semana com os jogos, e nem quer mais CPIs...
Esta notícia não pode ficar na gaveta. Divulguem!
Vamos nos unir e dar fim a essa grande rede de corrupção que envolve o nosso país.
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